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id da página: 8351 Louis-Claude de Saint-Martin O HOMEM DE DESEJO Louis-Claude de Saint-Martin

Saint-Martin Vida Saber Sabedoria

Que fazes, doutos ignorantes, quando destrinchas as leis da formação do mundo?

É com a morte que compões a vida; obteis toda vossa física nos cemitérios.

De que vossos gabinetes de ciência estão cheios? de esqueletos e de cadáveres, dos quais cuidas em bem conservar a forma e as cores, mas cujo princípio e a vida estão separados.

Vossos pensamentos não vos dizem que há uma física melhor que essa aí; e que é ela onde não há ocupação senão dos princípios, e onde os corpos mortos estão afastados?

Mas não, portastes este olhar morto e destruidor sobre todos os objetos de vossas especulações.

Os homens não buscam as obras vivas. Tudo que fazem, tudo que escrevem, suas ocupações, seus tratados científicos, não são dirigidos para a vida.

Enquanto um só instante de atividade poderia os pôr em união com o verdadeiro, para dele jamais se separar!

A razão humana, funesto instrumento do qual abusamos, serve no entanto a aproximar o homem da vida, depois de tanto ter servido a dela se afastar.

Porque o conhecimento da essência do Ser é interdito, eles creram que o conhecimento de suas leis também fossem; e porque o conhecimento das leis do Ser nos foi recomendado, creram que aquele da essência era permitido.

O homem que está ligado à ação está na sua lei, porque o pensamento que o governa não o deixa. O homem que se lança por si mesmo ao pensamento não o é, porque a ação aí falta para completá-lo.

Da mesma maneira, que maior prova da fraqueza do homem, que multiplicidade de sua palavras?

Veja onde a penúria de ação conduz os homens insensivelmente. Ela os conduz à penúria das ideias, e a penúria das ideias os leva a não ter por recursos senão os relatos.

És um ser ativo por tua natureza; quando vives afastado dos princípios e das verdades que esclarecem, tens recurso à pintura de seus resultados, que distraem. Assim o mundo está pleno de pessoas que recitam, vazio de pessoas que instruem. Eles tomam esta aparência de ação pela ação mesma, na medida que o homem é facilmente enganado pelas similitudes.

Eles tomaram o bisturi, e empreenderam a demonstração da inteligência, como o anatomista empreende aquela dos animais.

Mas a mão do anatomista não é assassina? e o menor dos atos que opera para conhecer os corpos não é um ato de destruição?

A natureza intelectual do homem, quando assim te dissecaram por este instrumento pernicioso, poderias te mostrar vivente, como serás sempre em tem conjunto?

Não, não oferecestes senão os membros isolados, desfigurados, e que seria preciso enterrar nos sepulcros.

E é sobre esta base alquebrada, que sempre vai se despencando, que elevaram o edifício do homem e do soberano Criador dos seres! Cientistas, esqueçam vossas ciências, elas puseram uma faixa sobre vossos olhos!

Mortais, não é nada conhecer estas verdades, não é nada estar convencido; o todo é realizá-las, e não vos dar um instante de repouso até que as sensações morais vos tenham sido tornadas tão naturais quanto as sensações elementares o são para vosso ser sensível.